domingo, 10 de agosto de 2008

Lutas e Opções

Lutas e opções

A vida do jovem sempre foi um grande desafio no decorrer da história da humanidade.Além de ter de lidar com toda uma profunda modificação no seu próprio corpo e psique,o jovem deve também estruturar-se em seu novo papel na sociedade,corresponder ou não à expectativa familiar e social de sua profissionalização,amadurecer em sua nova vida afetiva e buscar,em meio a todas estas tarefas desafiadoras,o sentido último de sua vida.


É uma tarefa hercúlea que talvez muitos adultos não tivessem estrutura para enfrentar em poucos anos,como é exigido do jovem.Alguém mais experiente poderia exclamar: “Veja bem,resolvendo o último item da lista,você terá a solução para todos os outros.”.É verdade.Encontrando o sentido último de sua vida,o jovem(como,de resto,qualquer outra pessoa) encontrará a condução para todos os outros desafios de sua juventude.



Acontece,porém,que este “sentido último” tão buscado há tantos séculos,tem sido posto em cheque nos dias de hoje.Há alguns anos,toda a sociedade,mesmo os “não-crentes” aceitavam os valores morais cristãos sem questionamentos.O respeito à vida,à família,a Deus e aos superiores eram valores inquestionáveis.Havia clareza a respeito do que era “certo” e do que era “errado”.Mas todos procuravam agir de modo adequado à expectativa social,de modo “certo” e evitavam o modo “errado” de agir.



Nos anos sessenta,estes valores do cristianismo começaram a ser questionados pelos jovens dos países mais desenvolvidos,que contestavam toda autoridade e tudo o que chamavam de “imposição social”.Seu modo de contestar era o comportamento exatamente contrário ao que a sociedade e o cristianismo apregoavam como “certo”.Surgiu o “amor livre”,a contestação da virgindade antes do casamento,o rock in roll,o uso indiscriminado de drogas,as roupas sujas e esfarrapadas do hippies,a defesa do aborto legalizado.A lei era agredir a tudo e todos da maneira mais escandalosa possível,apregoando a supremacia do prazer sobre todo e qualquer tipo de auto-domínio ou obediência a qualquer lei.A “lei” era fazer o que quisesse,do jeito que desejasse.O comportamento falava mais alto que as palavras;as imagens espalhadas pelo mundo,eram mais eloqüentes que qualquer discurso;a barulheira das músicas cujas letras pregavam os novos ideais atestava que os jovens dos anos sessenta rompiam impensadamente com todos os valores defendidos(mas nem sempre vivenciados) por seus pais.



Estavam abertas as portas para o que Ralph Martin chamaria de pós-cristianismo,que foi conseqüência de muitos fatores que não nos cabe analisar aqui,mas,muito além disso,os anos sessenta geraram os “contra-valores” e levaram o “pós-cristianismo” a desembocar no “anti-cristianismo”.



Jesus ensina que o nosso “sim” seja “sim” e o nosso “não” seja “não”, e acrescenta: “tudo o que passa além disso vem do Maligno”(MT 5,37).Da mesma forma,Jesus fala de apenas dois caminhos opostos em sua forma e em seu destino.Há um caminho largo que leva à perdição,e um caminho estreito,que leva à salvação(MT 7,13)


A transparência e a disposição ao sacrifício proposto por Jesus são radicalmente contestados pela mentalidade anti-cristã.Não há mais a Verdade,mas muitas verdades,dependendo da ótica de cada um.A “felicidade” apregoada pelo anti-cristianismo abole completamente toda idéia de sacrifício.O sofrimento não é nem sequer cogitado como algo contingente á vida humana,mas deve ser evitado de todas as formas,mas deve ser evitado de todas as formas e substituído pelo prazer a qualquer custo.A “felicidade” consiste em fazer sua própria vontade doa a quem doer,custe o que custar,ainda que seja o sacrifício da vida dos filhos.O referencial paterno se dilui cada vez mais em um “referencial” meio andrógino e confuso,que se adapta a qualquer tipo de “família”:seja de casados,onde o pai está sempre ausente ou,quando presente,não cumpre o seu papel;seja de “descasados”,que se unem a novos parceiros arrasando com o conceito de paternidade e maternidade,lealdade,segurança e estabilidade.Na mentalidade do anti-cristianismo,aliás,nada,absolutamente nada ou ninguém existe “para sempre”.Tudo é transitório e passageiro,pois o referencial último de todas as coisas é a vontade de cada pessoa.Cada um,isoladamente,é o dono de sua vida,decide sua vida segundo os padrões que lhe agradam e satisfazem,sem importar-se com o outro ou com Deus.



Texto retirado do livro “O desafio do jovem cristão”

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