sábado, 5 de julho de 2008

ALEGRIA: NECESSIDADE DE TODOS OS HOMENS


A Alegria é uma experiência do coração humano e fruto da felicidade que ele tanto busca. Esta alegria depende das opções que o homem faz livremente e, mais ainda, do reconhecimento do seu criador. E de onde vem esta alegria?

“Deus, antes mesmo de manifestar-se pessoalmente a ele mediante a revelação divina, dispôs a inteligência e o coração da sua criatura para o encontro da alegria, e ao mesmo tempo, da verdade.” Por isso é que dizemos que a sua alegria depende do reconhecimento de Deus como seu criador, pois se foi Ele quem a dispôs ao coração do homem, somente nele poderemos encontrá-la. Com razão Santo Agostinho no livro das Confissões diz: “Por que me criaste para Ti, inquieto estará o meu coração enquanto não repousar em vós”.

A nossa alegria está em Deus e a cada dia precisamos descobrir e abraçar esta verdade. Não basta apenas reconhecer, não é suficiente saber que Deus existe é preciso acolhê-Lo em nossas vidas. O nosso coração muitas vezes se encontra cheio de planos e isso não é mal, porém, não podemos esquecer o que diz a palavra de Deus: “O coração do homem planeja o seu caminho, mas é Iahweh que firma os seus passos. (Prov. 16,9). Nunca deveremos esquecer que o Senhor firma nossos passos. Nossos planos só serão bons se estiverem firmados n’Ele.

Angustiado, triste, amargurado, infeliz e sem sentido, estará o nosso coração enquanto não descobrirmos que a alegria verdadeira não está nas coisas passageiras, naquilo que podemos conseguir de imediato ou naquilo que podemos sentir. Aquilo que se consegue com facilidade, facilmente se perde.

A expressão máxima da felicidade é a alegria. Será que nós cristãos somos felizes? O que tem alegrado a nossa vida? Onde encontramos alegria? Somente nos prazeres? Nas coisas fáceis? Seria possível encontrar alegria no sofrimento? Onde encontraremos resposta para tantas perguntas?

Paulo VI, na sua exortação apostólica sobre a alegria cristã diz que “esse paradoxo e essa dificuldade em alcançar a alegria tornam-se pungentes de modo especial nos dias de hoje. É essa a razão da nossa mensagem. A sociedade tecnológica teve a possibilidade de multiplicar ocasiões de prazer; no entanto, ela também encontra grandes dificuldades em experimentar alegria. Pois esta provém de outra fonte. A alegria é espiritual. Assim, o dinheiro, o conforto, o bem estar e a segurança material muitas vezes não faltam e apesar disso o tédio, o mau humor e a tristeza, infelizmente, continuam sendo a sorte de muitos. E não raro isto chega ao ponto de tornar-se angústia e desespero, que a aparente ausência de cuidados, o frenesi da felicidade e os paraísos artificiais não conseguem eliminar. Será que o mundo se sente importante para dominar o progresso industrial e para planificar de maneira humana a sociedade? Ou será, talvez, o futuro que se apresenta por demais incerto e a vida humana ameaçada? Ou não se tratará, sobretudo de solidão, de uma sede de amor e de presença não satisfeita, de um vazio mal definido?”

Como viver a alegria em meio a tantos sofrimentos, desigualdades sociais, em um mundo marcado pelo sofrimento, onde os valores morais até mesmo o direito da vida se tornam conveniências?

Apesar das injustiças e calamidades atuais, sobretudo do sofrimento dos jovens, que com sua pouca idade são forçados pelas circunstâncias a enfrentar um mundo de amarguras e de tristezas, nada nos impedirá de falar e esperar pela alegria que homem algum é capaz de oferecer, da alegria que brota da esperança em um Deus que ama e que jamais abandona a sua criatura. Diz o sumo pontífice: “... pelo contrário, é na infelicidade que as pessoas do nosso tempo precisam conhecer a alegria e ouvir o seu cântico...” seria necessário um paciente esforço de educação para aprender ou então reaprender a saborear simplesmente as múltiplas alegrias humanas que o criador coloca já agora ao longo dos nossos caminhos: alegria exultante da existência e da vida; alegria do amor honesto e santificado; alegria passificadora da natureza e do silêncio; alegria por vezes austera, do trabalho feito com diligência, alegria e satisfação do dever cumprido, alegria transparente da pureza, do serviço e da partilha; alegria exigente do exercício.

Sou testemunha ocular das dores e sofrimentos e angustias que muitos jovens vivem atualmente. Mas quero animá-los e dizer que é possível encontrar esta alegria e comunicá-la com a própria vida a todo cristão e a todo homem que a busca e que queira afastar-se da amizade com o mundo e com o pecado, que na verdade é o motivo de toda tristeza e angústia.

A vida na presença de Deus é plena de alegria mesmo que comporte grandes sofrimentos. Estes deverão sempre nos lembrar que somos discípulos de Cristo que diz: “Aquele que quiser me seguir renuncie a si mesmo, tome a cada dia sua cruz e siga-me”. (Mt 16,24)

Com alegria corramos ao seu encontro.

Célio Lourenço.

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